quinta-feira, 28 de maio de 2009

Nasi
















Ontem foi a esperada entrevista do Gafieiras com o Nasi. Como de costume, marcamos um ponto de encontro para reunir a equipe e de lá seguimos rumo ao Butantã, bairro onde mora o cantor.
A princípio nenhum mistério com o roteiro: estivemos na região há pouco menos de três semanas para entrevistar o Luiz Tatit. O mapinha na bolsa, pra garantir o sucesso da empreitada, não foi suficiente. Sorte nossa o cinegrafista ter morado por aquelas bandas: chegamos quinze minutos antes do horário marcado, porém quinze minutos atrasados para armar o circo e conferir o equipamento.

Nasi mora sozinho, mas divide a casa de três andares com a gata Sofia; é boa vizinhança; estuda o candomblé pelas veias da sociologia e fotografia; não ouve rock em casa.

Recebeu a equipe no térreo onde ficam os discos e os livros. Ele já estava preparado pra conversa que durou quatro horas: um maço de cigarros, uma garrafa de vinho branco no balde com gelo sobre a mesa de centro e uma cadeira de madeira onde ficou sentado. Sem os trajes típicos de roqueiro, Nasi exibiu colares africanos por baixo da camisa aberta, vestia bermuda e chinelos.
Monitorado por um aparelho que de tempos em tempos registrava sua pressão arterial, Nasi revelou que estava no meio de um check-up sugerido por uma vizinha. Essa é a segunda vez na vida que ele se submete a exames gerais.

Falou sobre sua infância e sua família, sobre o Bixiga – bairro onde nasceu -, sua relação com a música, bandas de rock surgidas nos anos 1980, candomblé, Scandurra e o Ira!.
Cínico ou cênico, como ele mesmo se descreveu, em diversos momentos mandou recados olhando para câmera e rindo em seguida. Usou metáforas pra dizer o que não soube descrever ou pra não dizer com as palavras que queria.
Riu bastante. Fumou bastante. Fez uma única pausa para substituir a garrafa vazia, dessa vez por vinho tinto.

A entrevista na íntegra poderá ser conferida em breve no www.gafieiras.org.br.














(da esquerda para direita: Nasi, Dafne Sampaio e Rodolfo)

quarta-feira, 12 de março de 2008

A palavra do zabumbeiro

"Agora, vou apresentar a banda: aquele é meu pai, o meu tio, o filho do meu tio, meu outro tio e eu sou o Jeneci.” E foi simples assim que o zabumbeiro da Banda de Pífanos Santo Antônio de Carnaíba nomeou seus músicos ao público presente no auditório do Instituto Itaú Cultural, em São Paulo, no domingo, 9 de março. O show do grupo compôs – ao lado de outros cinco - o primeiro fim de semana do Rumos 2007-2009, projeto de mapeamento da música brasileira desenvolvido pelo Instituto Itaú Cultural.


A partir da esquerda: Expedito, Mestre Antônio, José Carlos, Luiz Pedro e Jeneci.

Integrada atualmente pelo maestro, compositor e pai de Jeneci, Antônio Pedro Sobrinho (1º pife); pelos tios Expedito Pedro da Silva (2º pife) e Luiz Pedro Sobrinho (prato); pelo filho do seu tio, José Carlos da Silva (caixa); e por Jeneci Antônio da Silva (zabumba), a banda da zona rural de Carnaíba – cidadezinha do interior pernambucano - foi fundada em 1902 por Firmino Barbosa. Somente em 1933, já cansado, Barbosa passou a batuta do grupo para um de seus sobrinhos, José Pedro da Silva, avô de Jeneci, hoje com 90 anos de idade.

O quinteto que divide a música com a agricultura acaba de gravar seu segundo disco, novamente produzido pelo conterrâneo Cacá Malaquias, saxofonista e flautista da Banda Mantiqueira e Jazzco. E graças à seleção no projeto Rumos, o primeiro DVD está a caminho: todos os shows dos 58 selecionados são filmados e devem compor um kit audiovisual.


Jeneci, 40 anos, um dos zeladores da banda de pífanos.

Num misto de simplicidade e nervosismo, Jeneci esqueceu de dizer os nomes dos músicos-parentes. Talvez porque o público que costuma ouvi-los é familiar; talvez porque nas novenas e bailes em que tocam não há câmeras. Ou ainda, porque as luzes do sertão pernambuco são mais brilhantes e o teatro não tem teto. Mesmo assim, a banda que tropeçou nos nomes, fez bonito, tocou xotes, forrós e baiões, emocionou e não deixou sentado quem se levou pelo som dos pífanos. (Andréia do Nascimento)